sábado, 25 de dezembro de 2010

ALFARRÁBIO 1 - Parte 2

Para a sequência do conto XIMENA, UM CANTO DE AMOR NAS TREVAS eu elaborei um clima mais idílico, com nuances eróticas, tentando porém, não cair no vulgar. É um texto menor, um pequeno esforço na arte de contar histórias, sem pretensão alguma. Apenas segui o que muitos escritores fizeram durante a vida inteira: escrever para si, para o próprio entretenimento e assim, consequentemente, atingir um público com igual empatia pelo texto.


XIMENA, UM CANTO DE AMOR NAS TREVAS - Parte 2

     Ele abriu os olhos devagar... o sono parecia ter deixado seu corpo mais leve, restaurado. Logo ele pegaria a estrada de novo. Tinha que levantar e verificar como estava o cavalo e... de repente parou. Fechou os olhos e lembrou. Estava numa cama agora, quente e confortável. Uma imensa cama de dossel, como há muito se via em livros de história antiga antes da “Queda” do planeta, com o “Advento das Eras”...  e era um quarto enorme também, com um teto nas alturas. Ele virou a cabeça e viu uma lareira a alguns passos da cama. Sentiu que estava despido por baixo das cobertas. Apoiou-se num cotovelo e olhou em volta. Ela estava ali também. Depois da lareira, dentro de uma banheira antiga banhando-se, aparentemente. Ela olhou para ele e seus olhos encontraram-se e ela sorriu para ele, deitando a cabeça de lado de um modo que o deixou encantado com aquela beleza. Ele passou a mão no local onde lembrava que havia sido atingido... haviam apenas os cabelos do tórax e duas pequenas marcas, feridas aparentemente antigas que não mais doíam.

- Estou vivo ainda. – Ele sorriu e disse de si para si.
- Espero que não se arrependa do que pediu... – Ela disse.
- Que lugar é esse? Como me trouxe?
- Você está no castelo Karnstein, próximo ao lugar onde eu o encontrei. Este lugar pertence à Mircalla e aos ancestrais dela. E não foi difícil trazê-lo até aqui... bem-vindo à sua nova existência e ao meu mundo... – Ela disse as últimas palavras bem devagar com sua voz forte e bem modulada. Uma voz de mulher acostumada a mandar e tomar decisões que dificilmente alguns homens tomariam.

- Pensei que você e os não-mortos fossem inimigos. – Ele comentou.
- Mircalla era inimiga até Rubio fazer um pacto com ela e ambos se apaixonarem. Desde então, passo aqui sempre.

     Nesse momento, uma figura saiu das sombras de um canto do quarto e estacou próximo dela. Era um homem de estatura gigantesca, calvo com uma face animalesca e trazia um castiçal na mão.

- Deseja algo para ele, senhora? – A voz gutural do homem parecia sair de dentro de uma cripta.
- Não, Gorna. – Disse ela – Eu cuido dele... – E disse e olhou de maneira estranha para o homem deitado na cama. Então ela pegou uma grossa toalha no encosto da banheira e o estranho recém-chegado desapareceu na escuridão de onde viera. Ela ergueu-se na banheira. O homem ficou maravilhado com a visão. Uma mulher com um corpo magnífico e bem trabalhado. Sob a luz das chamas da lareira, sua pele tinha um tom dourado e ela se enxugava com sensualidade, enquanto o encarava. Pôs-se fora da banheira e riu alto.

- Que maravilha é um bom banho... e quer fechar essa boca, por favor?

     Ele moveu-se embaraçado na cama e deitou-se de novo desviando a vista. Estava mesmo boquiaberto com a visão dela nua na sua frente. Ela caminhou enrolada parcialmente com a toalha até ele e parou na beira da cama.

- Você foi cuidado e colocado nesta cama por Gorna, que é servo e guardião do castelo, quando chegamos. Agora era a minha vez.

     Ele nada disse mas experimentou uma sensação estranha... sua percepção estava diferente. O quarto estava mal iluminado e em meio à penumbra mas mesmo assim, ele via tudo à distância... e sentia o calor dela bem mais próximo e o cheiro... o cheiro do seu corpo... e de tudo mais ali.

- Está mais perceptivo agora, entendeu? – Ela pareceu ler seus pensamentos. – É um sobre-humano. O homem que foi antes, morreu.

    Sim era isso. Ele se sentia revigorado, vivo e forte como nunca se sentira na mais tenra juventude. O calor que emanava dela mexia com ele agora... e ela o sentiu também. Sentiu a virilidade dele crescer e isso a excitou. O homem podia claramente, com sua nova condição, perceber nas narinas o cheiro almiscarado do sexo  da mulher , algo que fez sua masculinidade despertar com força. E ela sentou ao lado dele na cama.

- Você é muito homem... – Murmurou ela.
- Não a imaginava tão mulher. – Disse ele, com o peito em fogo e as narinas dilatadas.

- Acho que será diferente aqui... terá que ser... – Ela disse, o olhar perdido vagamente. Lembrou de quantas vezes tivera amantes e destruíra a todos por causa de sua maldição. Homens que eram estraçalhados vorazmente no momento em que ela atingia o orgasmo... e ficava sozinha outra vez, odiando a tudo e a todos.

     A mão dela deslizou até ele, tocando-o sobre as cobertas. Estava pronto para ela. Ele estremeceu com o toque e ela afastou as cobertas subitamente. Ele ficou embaraçado por uma fração de segundos mas não se alterou. Ela olhou para ele com uma ternura que não havia estado naqueles olhos antes. O coração do homem bateu mais forte quando a mão da loba guerreira o acariciou intimamente, emitindo um leve gemido. Ele sentou-se na cama, puxando-a para si, pela cintura. Ela pôde sentir-lhe a nova força, ele havia mesmo recebido o dom. Ambos ficaram face a face, entreolhando-se. Ela abriu a boca passando a língua nos lábios. Aquilo foi o bastante para ele, que colou sua boca na dela, que correspondeu ao beijo com um suspiro. O coração de ambos bateu aceleradamente e ela o empurrou para a cama, sentando sobre ele cavalgando-o. Mas ele não permitiu ser dominado e, com seu novo vigor, mudou a posição de ambos rápidamente, ficando sobre ela, que sorriu divertida. Ele baixou a cabeça sobre os seios cobertos de sardas, e principiou-se a beijá-los, ansioso. Ela contorceu-se na cama fechando os olhos e soltou um rouco gemido com sua voz possante. Estava excitada, apaixonada. A boca dele deslizou até o ventre dela, beijando o umbigo, descendo um pouco mais... e ela segurou-lhe os cabelos sem puxá-los, levantando um pouco a cabeça olhando para ele, atônita.

- Não quero assim... não agora... – Protestou ela, ávida. – Vem prá mim... quero sentir você...

     Ele obedeceu, deixando-a guiá-lo. Penetrá-la devagar e com jeito, apesar do anseio, era como mergulhar num sonho antigo que jazia há muito, em seu subconsciente. Ela o envolveu com as grossas e possantes coxas, puxando-o mais para dentro dela e ambos gemiam e suspiravam, seguindo o mesmo ritmo. Ficaram assim, noite adentro, hora ele sobre ela, hora ela cavalgando-o, ambos sufocando-se com beijos de fogo e sussurros apaixonados. O tempo não existia ali, naquele lugar maldito, onde o horror hediondo impregnara as paredes. Mas havia uma centelha de luz naquela união sobre-humana. Havia um ato de amor, ainda que sobrenatural, entre dois seres que a fatalidade unira. E nada mais mudaria aquilo, nem mesmo as trevas que moravam no castelo Karnstein.

Fim da segunda parte.


Nenhum comentário:

Postar um comentário