segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

SESSÃO INCIDENTAL - SENTENZA DI MORTE


   Como é também objetivo do deste blog divulgar a memória do cinema, o tópico "Sessão Incidental" abordará os mais diversos gêneros que eu tenho cultuado durante toda uma vida. E o western, principalmente o italiano, já abordado aqui no artigo A CAVALGADA DOS HOMENS SEM NOME, estará sempre presente. O filme SENTENZA DI MORTE é uma verdadeira jóia rara do ciclo "Spaghetti Western". Uma história focada na temática da vingança, porém, contada com estilo e uma abordagem mais profunda dos personagens. Um jovem pistoleiro, Cash [Robin Clarke em seu único western], persegue quatro assassinos de seu irmão, o que faz a narrativa desenvolver-se, aparentemente, em quatro episódios separados nos quais a desforra do rapaz se cumpre nas mais variadas formas. Violenta e eficaz. Realmente, o Eurowestern, peculiar na ação, notabilizou-se pelo estilo estéticamente barroco, presente nas imagens e nos belos cenários em sua maioria na Almeria, Espanha, com enquadramentos às vezes asfixiantes, para citar Sergio Leone, que definiu o gênero em suas produções, e uma trilha sonora sui generis, que certamente jamais se encaixaria numa produção americana, surgiu como uma releitura do gênero. 
   Eu, particularmente, nunca visualizei nenhum aspecto dos EUA nas produções italianas. É como se tivesse existido um espaço mágico verdadeiro na Europa, uma fronteira sem nome onde haviam sempre heróis amorais, vilões sádicos, mulheres belíssimas capazes de seduzir e matar ao mesmo tempo, cidades onde a presença da lei era quase um mito e, como aditivo sonoro, uma melodia fúnebre que atingia o ápice quando o confronto acontecia, geralmente sob as cores do crepúsculo. E em SENTENZA DI MORTE não é diferente. E como poderia ser, se o diretor Mario Lanfranchi [Aqui tembém em seu único western] reuniu o inesquecível Richard Conte e os ícones Enrico Maria Salerno, Adolfo Celi e Thomas Millian [Roubando aqui a cena assustadoramente, como um psicopata assassino] para contar uma fábula adulta sobre uma perseguição implacável? O ator Robin Clarke, apesar de estar como figura central em meio à tarimba dos já citados, está bem melhor que John Phillip Law no clássico A MORTE ANDA A CAVALO, que tem argumento semelhante. Lamento ser esta a sua única, porém marcante, aparição no gênero. A trilha sonora de Gianni Ferrio é ótima e emoldura perfeitamente cada cena. O filme tem áudio em italiano e vem com legendas em inglês que pouco tem a ver com grande parte do diálogo original. Eu fiz questão de criar minhas próprias legendas a partir do áudio italiano e fiz a sincronia. SENTENZA DI MORTE é um western vigoroso, altamente recomendável e que bem poderia servir de estudo para realizadores atuais que ainda não entenderam porque Tarantino e Rodriguez ainda surpreendem.
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7 comentários:

  1. Conheço muito pouco faroeste, mas o pouco que me interessa (e esse pouco é MUITO!) são as produções italianas, européias. Meus favoritos são os dois Leone clássicos, TRÊS HOMENS EM CONFLITO e ERA UMA VEZ NO OESTE, que para mim são incomparavelmente superiores aos filmes dos "DÓLARES". Não conheço muito mais coisa, e meu interesse é bem limitado nesse campo, mas tenho convicção de que os italianos inseriram a brutalidade, a aridez e o sentido de fatalidade (bem ao estilo operístico) e morte no gênero. Saem de cena os heróis e mocinhos (quase sempre) padronizados e entram os personagens amorais. Com o perdão da heresia, para mim, o verdadeiro faroeste é o italiano. E esse filme descrito nesta postagem parece ser mesmo um dos grandes desse gênero.

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  2. Obrigado pelo toque e pela ilustríssima visita, amigo Carlos. E apesar de você achar que não conhece muita coisa, penso que é modéstia da sua parte, mas pode ter certeza que com os filmes que postarei aqui, vai ampliar em muito seu conhecimento, pois, todos serão na linha deste belo SENTENZA DI MORTE. A Itália em matéria de western tornou-se um verdadeiro divisor de águas mesmo.

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  3. Cayman, bondade sua... Não vi nem dez spaghetti-westerns, imagino, mas sei bem o que gosto, e considero mesmo o máximo nesse gênero. Vou continuar acompanhando com atenção o blog e pegar muitas outras dicas.

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  4. Um belo filme, sem dúvida, embora eu ache que Milian exagerou um pouco na interpretação. Cada um dos episódios é excelente e se resolve de maneira original.
    Ótimo resgate!

    Abração!

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  5. Hola, "Sartana", obrigado pela visita. É, Millan exagerou um pouco, mas, fazer o que? Ele é assim mesmo. Lembra de TEPEPA, FACCIA A FACCIA, RUN MAN, RUN, e alguns eurocrimes que ele fez? Acho que seria até patético se outro ator tivesse sido cotado para o papel... a não ser que Klaus Kinski estivesse no critério de Lanfranchi...

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  6. Acho justo considerar a passagem de Milian por este filme como uma interpretação «a la Kinski». O filme é bom, muito bom. Tenho a sorte de possuir o DVD alemão (Kock Media) que contém alguns extras, e o filme com uma qualidade de imagem irrepreensível.


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    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  7. Eu mesmo fiz uma versão deste, filme, Pedro. Autorei com um trailer e posters. Coisa bem particular, de colecionador. É um meus westerns mais peculiares. E muito obrigado pela visita.

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