domingo, 13 de março de 2011

IN VITAM: JOSÉ [DO CAIXÃO] MOJICA MARINS - 75 ANOS

Lembro-me que a saudosa atriz Nair Belo disse certa vez que uma homenagem IN VITAM tem um valor extraordinário. Concordo plenamente, porque uma homenagem póstuma é algo desinteressante para mim assim como o foi para ela. E penso que, nenhum artista deixaria de  assinar embaixo esta declaração. Pois bem, hoje é dia 13, um número que para muitos é funesto, porém, para alguns, representa uma data singular, pessoal. E este dia 13 de Março pertence a José Mojica Marins, mais conhecido como Josefel Zanatas, ou ainda, Zé do Caixão. O Sr. Mojica é o nosso ícone do horror nacional, nosso cineasta mais premiado, mais aplaudido, pelo menos lá fora, já que aqui a máxima do "Santo de casa" vale com toda a força. Meu primeiro contato com o trabalho do "Seu Zé" - permitam-me chamá-lo assim com carinho e respeito - foi através de um dos meus vícios incuráveis, os quadrinhos, na revista O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO, no inicio da década de 1970, quando meu pai trazia um gibi para ele, geralmente de terror, e outro para mim com meus heróis favoritos. E sem seu consentimento dei uma espiada na revista para ter um dos meus primeiros vislumbres da arte incomparável do mestre Nico Rosso e sentir um calafrio ao encarar aquele camarada de cartola, sombrancelhas hirsutas e barba negra na página inicial a contar uma história horripilante. Daí até hoje, sempre corria para a tv quando havia uma aparição qualquer do "Seu Zé": uma entrevista, um close, qualquer dado visual. E tive o prazer de assistí-lo no cinema nos anos 70 ainda, quando menor de idade e burlando a censura a muito custo, para ver EXORCISMO NEGRO junto a OS RITOS SATÂNICOS DE DRACULA, com outro ídolo, Sir Christopher Lee, na mesma semana. Os filmes que iniciaram a saga do Zé do Caixão eu só iria ver, apesar de ter lido tudo sobre eles, com o advento do VHS.
Zé Caixão e o eterno Conde Drácula, um encontro de imortais ainda entre nós.
75 anos de uma vida que pode ter tido seus altos e baixos e uma resistência talentosa fora do comum, bem pode ser comemorada e aplaudida. Oscar Wilde disse que quando uma obra divide a crítica, é sinal que ela é algo novo e vital. Eu apoio esta colocação, pois o neo-realismo posto nas obras de Mojica dividiu e ainda divide opiniões, mas, sem descartar um consenso: ele é único e impossível de ignorar, gostem ou não. E eu sempre digo para amigos e alunos, aqueles que devoram cinema como eu, que o Sr. Mojica é um exemplo de tenacidade e improviso, com seus teste macabros para atores, cenas escatológicas, etc. Disseram-me uma vez que se eu quizesse fazer cinema, visse com cuidado O PODEROSO CHEFÃO de Coppolla. Pode ser, mas ainda acho que realizadores como José Mojica Marins, Mario Bava, Jean Rollin e mesmo Jesus Franco em seus raros momentos de lucidez, tem muito mais a dar como exemplo. Parabéns, "Seu Zé", estou feliz por você e por ambos estarmos juntos na mesma época.
Zé do Caixão atravessou fronteiras e assombrou o mundo.
Ser ou não ser... EU SOU Josefel Zanatas com certeza!
No cemitério, a matéria prima do monstro sagrado.
Zé e o Rei. Propondo um pacto, talvez?
Zé e sua corte infernal.
Um mundo estranho para um bizarro personagem.
E por fim, minha modesta homenagem pessoal para o Sr. Jose Mojica Marins. Um pequeno pin-up de uma HQ que venho há algum tempo produzindo com seu personagem.

3 comentários:

  1. Parabéns também a você, Cayman, pela homenagem e pelo depoimento pontual! Muito bom mesmo!! Abraço!

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  2. E obrigado a você, velho amigo, pela apreciação. Afinal, ambos somos fãs e seguidores do "Terror Brasilis" que Zé do Caixão patenteou não é mesmo?

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  3. Como sou fá desse artista!!!!!!
    Difícil encontrar material dele na Web tal qual como neste post.
    Este é um artista brasileiro completo. Diretor, escritor, roteirista, ator, cameraman, enfim tudo o que envolve o cinema nacional ele tem no curriculum como muito bem postado pelo amigo Cayman.
    Por muito tempo no Brasil nunca sendo lembrado nas grandes homenagens e eventos. Um artista que ao que parece é mais valorizado no exterior do que aqui como tantos outros. Um mestre do cinema Horror-Cult que não fica muito longe de um Boris Karloff e um Cristopher Lee do final da década de 50 e início dos anso 60 dos filmes produzidos pela Inglesa Hammer.
    Isso é que é uma homenagem bem lembrada a quem realmente merece.
    Assisito aos seus programas na TV Cultura e o ultimo deles em que entrevistou José Wilker foi fantástico e não vou perder o próximo que entrevistará o ator Lima Duarte, uma lenda viva do cinema e TV brasileira.

    Parabéns Cayman

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