sexta-feira, 25 de março de 2011

SESSÃO INCIDENTAL: O HORROR ITALIANO Parte I


O cinema de horror feito na Itália teve um ciclo marcante e influente no cinema mundial. Assim como o Spaghetti Western e o Poliziesco. E tudo começou com I VAMPIRI em 1956, quando o diretor Ricardo Freda conheceu o então diretor de fotografia e técnico de efeitos especiais Mario Bava, que mais tarde viria a ser uma lenda viva no gênero. Freda pediu aos produtores para fazer um filme de horror em duas semanas, ao invés de seis, como era o padrão. Isso resultou numa aposta que ele não pode pagar, já que esse prazo estourou e ele abandonou as filmagens após 10 dias. Mario Bava conseguiu a proeza de terminar o filme em 2 dias, o que aliás, foi uma das primeiras que faria ao longo de sua memorável carreira. I VAMPIRI não chegou a ser um filme perfeito, mas foi pioneiro no gênero na Itália e deve ser lembrado que veio antes do domínio da Hammer Films, que revolucionaria o cinema de horror um ano depois. I VAMPIRI apesar de ter sido um fiasco de bilheteria, abriu as postas para o gênero e fez surgir nomes que tornaram-se ícones, assim como Mario Bava. Particularmente, é um dos meus favoritos, pois me dá a sensação de estar vendo imagens vivas dos meus velhos gibis de horror em preto e branco e a fotografia de Bava e muitas das cenas sugerem isso.

Três anos depois, o horror italiano viria a definir-se de vez com obra prima de Mario Bava, BLACK SUNDAY,  A Máscara do Demônio, baseado no conto "Viy" de Nikolai Gogol, que conta a história de uma bruxa vampira que retorna à vida séculos depois de ser atirada à fogueira. O filme trouxe um toque expressionista em sua bela fotografia (Bava caprichou, como sempre), a presença da inesquecível Barbara Steele que marcaria as telas no gênero através da próxima década como a dama do horror europeu e uma violência gráfica como não se havia visto até então numa produção italiana daquele tipo. Na época, apenas a Hammer se atrevia a tanto. Foi um sucesso total, apesar de censurado em alguns países, e o estilo de Mario Bava marcou o ínicio da idade de ouro do horror italiano influenciando as produções que viriam depois.

O visual lúgubre de Barba Steele acentuado pelo poder expressivo de seus olhos marcantes fizeram dela um monstro sagrado do horror. E causou na época um arrepio que perdura até hoje.
A fotografia expressionista lembra em muito os clássicos alemães que influenciaram também a velha Universal.

A Máscara do Demônio é, ao lado de LA FRUSTA E IL CORPO e AS TRÊS FACES DO  MEDO, com Boris Karloff, o supra-sumo da obra de Bava e sua filmografia geral é uma das coisas mais significativas no horror produzido na Itália. Tive a sorte de assistir La Frusta e Il Corpo nos anos 80, relançado no Brasil com o título vergonhoso de Dracula, o Vampiro do Sexo. Não há sequer menção a vampiros no filme e eles não fazem a menor falta na história, obviamente.
LA FRUSTA E IL CORPO apresentou a figura hipnótica de Christopher Lee, já considerado na época um astro, através da figura sinistra do Conde Drácula nas produções da Hammer num filme que também teve problemas com a censura por sua temática de sexo movido a sadomasoquismo. Enfim, mais um Bava inesquecível.

Após os problemas que teve com I VAMPIRI, Ricardo freda teve como se redimir no horror com o excelente L'ORRIBILE SEGRETO DEL DR. HICHCOCK, de 1962, que contava com a presença da inesquecível Barbara Steele, numa produção a cores que teve inúmeros méritos, entre eles uma história contada em poucos sets e um bom roteiro assinado por Ernesto Gastaldi. O filme teve uma continuação ligeiramente inferior, mas que deixou claro o quanto Freda se identificava com o gênero.

Antonio Margheritti, que assinava como Anthony M. Dawson, dirigiu um filme que realmente merece estar entre os cinco melhores do horror italiano. DANZA MACABRA (Castle of Blood) é um  dos filmes mais impressionantes e atmosféricos da década de 60. Suas cenas de horror mesclado com masoquismo e lesbianismo deram muito o que falar. A versão completa só veio aparecer depois do ano 2000 e a internet  prestou um grande favor aos fãs quanto a isso. A história é sobre um jornalista metido, que tenta de certo modo ridicularizar Edgar Allan Poe, que está de passagem por Londres, o que leva a uma aposta com o chato repórter, que é desafiado por um amigo de Poe a passar uma noite no castelo de sua família. Daí por diante o filme vira um verdadeiro pesadelo quadro-a-quadro com o incrédulo rapaz confrontando-se com fantasmas, espectros vampíricos e cenas do passado macabro do castelo. Seu único contato singelo na história se dá com uma bela jovem interpretada por Barbara Steele, aqui, em minha opinião, em seu melhor filme (adoro Black Sunday, porém Danza Macabra é superior para mim em vários aspectos). A fotografia soturna, a trilha e as interpretações fizeram com que Margheritti conseguisse seu melhor trabalho e uma significativa contribuição para o cinema de horror no mundo inteiro. É o meu favorito entre todas as produções italianas feitas em sua época.
Na segunda parte, as produções e os mestres que se destacaram no apogeu do horror italiano

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