segunda-feira, 28 de março de 2011

SESSÃO INCIDENTAL: O HORROR ITALIANO - Finale


Dentre os diretores do cinema de horror feito na Itália, Lucio Fulci pode ser considerado o mais polêmico e controverso. Se Mario Bava e Antonio Margheritti usavam a violência gráfica com toques poéticos e Dario Argento seguiu seus passos ampliando essa visão através de um cuidadoso acabamento de cena, Fulci não apenas expandiu os elementos do impacto no horror, mas fez explodir nas telas a violência explícita, o que o fez ser chamado por alguns de "pai do gore". As imagens cruas que Fulci deixou registradas em seus filmes na penúltima década do século XX, até hoje, na segunda década do século XXI ainda chocam. E nenhum filme de horror atual, à exceção de A Invasora (L'intérieur-2007), conseguiu produzir impacto similar. Tendo abandonado a faculdade de medicina para entrar no mundo da sétima arte, Lucio Fulci começou como assistente de direção e roteirista, chegando a trabalhar com uma das lendas vivas do horror italiano Riccardo Freda. Após experimentar vários gêneros, entre eles o giallo e o western - Tempo di Massacro com Franco Nero e George Hilton é um dos melhores já feitos - Fulci obteve reconhecimento no horror com Zombie 2 de 1979, que veio na trilha do sucesso de George Romero, Dawn Of The Dead, 1978. Zombie 2 , lançado no Brasil como Zumbi 2, A Volta dos Mortos, tem cenas de impacto suficentes para embrulhar o estômago de qualquer desavisado. O horror de Fulci não prende através da sutileza do bom susto aliado a uma trilha sonora de bom efeito, mas através de imagens pesadíssimas que compensam muitas vezes algumas atuações  e dublagens ruins, que, infelizmente, foram características de alguns de seus filmes.
Paura Nella Città Dei Morti Vivi, que no Brasil teve o título de Pavor na Cidade dos Zumbis, é um de seus filmes dos anos 80 que virou cult e iniciou uma triologia que seguiu com l'Aldilà (The Beyond) e House By The cemetery. Dos três, The Beyond, que no Brasil chamou-se Terror Nas Trevas, é o filme que mais sintetiza a mão de Fulci no horror e é o ponto alto de sua filmografia no gênero. Com referências aos zumbis de Romero e a literatura de Lovecraft, o filme, apesar de ser cobrado por alguns pontos confusos no roteiro, pode ser considerado perfeito diante da estilística do diretor. A trilha sonora climática e imagens nauseantes em algumas passagens mostram que The Beyond é um filme que só Fulci poderia conceber. Falecido em 13 de Março de 1996, Fulci dividiu opiniões entre a crítica e os fãs do horror. O diretor Mario Bianchi, que ainda será citado neste artigo, disse que Fulci gostava de ser tratado como IL Maestro e todos pareciam chamar-lhe assim, com a maior deferência. E ele pouco ligava se gostassem ou não. Seja como for, foi um artesão do cinema italiano que marcou época e contribuiu para a modernidade do horror.
Além dos mestres do período áureo do horror italiano já citados nos dois primeiros artigos passando por Argento e Fulci, quero citar também dois diretores que chamaram minha atenção: Mario Bianchi e Sergio Martino. Bianchi teve sua participação no horror com La Bimba di Satana de 1982, filme que mesclava horror com sexo explícito e, embora não tenha sido o primeiro a fazer isso, seu filme tinha um visual típico dos anos 70, com locações em um castelo antigo, criptas e ingredientes que marcaram a época. Bianchi declarou que certa vez Lucio Fulci pediu, ou melhor, ordenou que ele fosse dar um trato em algumas cenas de I Fantasmi Di Sodoma, 1988 o qual, segundo Bianchi, jamais teria sido concluído se não fosse sua assistência como diretor, já que o filme estava parado e sequer recebeu crédito algum por isso e nem mesmo um obrigado por parte de Il Maestro Fulci. Sergio Martino tem uma filmografia repleta de giallos memoráveis como Il Tuo Vizio È Una Stanza Chiuza E Solo Io Ne Ho La Chiave. No horror, Tutti I Colori Del Buio, de 1972, é seu melhor filme, estrelado pela musa Edwige Fenech e George Hilton, com seitas satânicas e sexo, coisa bem típica do gênero na Europa dos anos 70. É um filme que eu recomendo para os fãs do horror e do giallo.
A finalidade maior destes três artigos sobre o Horror Italiano embora de forma resumida, é de reforçar o conhecimento deste gênero de cinema para as velhas e novas gerações, pois, devido à escassez de boas idéias em Hollywood, ainda se pode ver algo de significativo como sempre houve, aliás, no cinema europeu. A itália, assim como vários países da Europa sempre contribuiram para o verdadeiro cinema de horror com suas produções únicas e irretocáveis e servem ainda de influência e inspiração para os novos realizadores. Pena que o "Blockbuster", ou seja, o famoso "pipocão" seja a moda decadente que ainda não foi percebida pela maioria.

8 comentários:

  1. Estou com a boca cheia d'água para assistir a todos estes filmes, o único que assisti foi a Casa do Cemetério, na recente e exitosa Spaghetti Zombie, e foi impagável, impossível não se apaixonar por esses gênios memoráveis do cinema.

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  2. Oh, muito obrigado pelo comentário. Nos portais indispensáveis aqui ao lado você encontra tudo isso com legendas e muito mais. Dê preferência ao Surreal Movies, Cine Darkside II e ao CineCult Classic. Abraços.

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  3. Grande, Cayman. Cheguei por aqui. Texto supimpa, esclarecedor por demais. E esses "cartazes" antigos, rapaz, me lembram o velho Cine Sant'ana, em Tianguá. Eu ficava encantado e tinha vontade de roubar as fotos. Muito legal.
    Abraço.

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  4. Não sabia que você era de Tianguá, Carlos. Eu faço parte daquela Serra desde 1982, mesmo não tendo nascido lá. E Muitíssimo obrigado pela visita. Estarei retomando o blog ainda esses dias, pois já faz muuuiiito tempo que não venho aqui...

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Em tempo:

    Cayman,

    Eu tenho aqui um bom acervo de filmes de espionagem europeu, tipo: TÉCNICA DE ESPIONAGEM ( com German cobos e Erika Blanc ), ESPIÕES CONTRA O MUNDO, MATEM SEM PIEDADE OS ESPIÕES SANGUINÁRIOS, O HOMEM QUE VALIA MILHÕES e outros, mas quase todos em versões estrangeiras, mas que pretendo traduzi-los através de parcerias.

    Vou organizar, em janeiro, aqui em Teresina, uma exposição de posteres porta de cinema, lobby cards e outros assuntos ligados ao cinema europeu, principalmente, no Espaço Cultural São Francisco, no Mafuá ( o menor espaço cultural de que se tem notícia ).

    Quando você vem a Teresina?

    Janclerques

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  7. Obrigado pela mensagem, Janclerques. Eu já respondi ao teu e-mail, abraços!

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